Me sinto na vontade e talvez um pouco de necessidade de contestar algumas interpretações talvez errôneas que originalmente possa ter causado o artigo abaixo. Não é intenção de nenhum homem de bem que a cultura e por conseguinte os valores, permaneçam imutáveis através dos tempos. Sim, o que são valores? Quais valores são certos? Quais são errados? Não cabe a nós dizer nada disso, nem cabe a nós querer forçar a adoção de um valor que julgamos correto por parte de nossos inúmeros leitores.
Talvez a palavra “valores” tenha sido mal escolhida. A intenção era fazer um protesto contra a banalização de sentimentos, a banalização do comum, contra o individualismo e o egoísmo. Entendam, leitores, que os meus valores podem ser diferentes dos de meu colega de blog, podem ser diferentes dos seus e podem ser diferentes dos de nosso presidente. E repetindo, não cabe a nós querer fazer valer os nossos valores sobre os seus.
A sociedade é mutável, sim. Por isso queremos fazer com que ela mude para um estágio diferente daquele para o qual a vemos caminhando. Queremos seres humanos que se preocupem com o próximo, que se preocupem com os sentimentos, os pensamentos, os sonhos e objetivos do próximo. Lutamos contra o individualismo, a falta de bom senso, a falta de responsabilidade que leva nossa juventude, nossa geração, a cometer atos, alguns que eu ou meu colega possamos até já ter outrora praticado (claro, pois somos humanos, somos passivos de erros; mas reconhecer os erros e a necessidade de nos melhorar, principalmente perante àquele cuja opinião mais importa para nós – nós mesmos – é um passo importantíssimo para a redenção perante si e perante a sociedade e à evolução pessoal) , que levam nossa sociedade rumo à elitização, ao individualismo, ao egoísmo, à frieza dos corações.
Creio, leitores, que alguns de vocês podem achar isso correto e no entanto alguns outros podem achar errado. E defendemos isso também! Defendemos a liberdade da opinião de cada um. Há uma tênue linha entre o individualismo e o indivíduo. Estamos oferecendo aqui neste blog tanto um espaço para uma literatura sócio-crítica provida por nós, os autores, quanto um foro para a discussão dos temas que estamos propondo. Queremos cidadãos que formem sua opinião e não que reproduzam as opiniões que lêem, ouvem ou assistem. Queremos pessoas capazes de assumir as rédeas de nosso país e de toda outra instituição que necessita de um líder e poder fazer o que é melhor para a coletividade. Mas para isso meus caros, para essas pessoas serem plenamente capazes de assumir estas responsabilidades, elas devem primeiro ser responsáveis por sí mesmas; devem assumir as rédeas de suas vidas e ter a capacidade para diferenciar o que é melhor para si, levando em conta os princípios éticos de nossa sociedade. Isso poderia levar à uma discussão sobre a ética também, mas não é esse o ponto. A ética que eu cito são os princípios intrínsecos em cada um de nós, moldados pela vida em sociedade que, assumindo a voz de um grilo falante, nos levam a pensar em nossas ações e nas conseqüências, para nós e para os outros, lembrando sempre que nossos direitos terminam onde começam os dos outros.
Caríssimos, deixo por final um pedido de reflexão sobre a seguinte afirmação: Seja você, mas também seja eu, eles e seja todos nós.
Outrossim, penso que vale deixar aqui um recado: Amanhã, dia 29 de setembro, às 11 horas da manhã, haverá uma manifestação pacífica contra a corrupção e a favor da consciência política no Vão Livre do MASP, na Avenida Paulista.